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MIS Recebe Exposição 'O Grito que Ecoa' em Denúncia ao Feminicídio

A mostra em Campo Grande reúne obras de 14 artistas mulheres e o Coletivo Dorcelina Folador para refletir sobre violências de gênero e resistência.

02/03/2026 às 14:35
Por: Redação

Em um importante movimento de conscientização, a exposição 'O Grito que Ecoa' foi inaugurada no Museu da Imagem e do Som (MIS) em Campo Grande, com o propósito de abordar a grave questão do feminicídio.

 

A mostra apresenta trabalhos de quatorze artistas mulheres, incluindo nomes como Bejona, Marcia Lobo Crochê, Vitória Lorrayne, SYUNOI, Veryruim, Letícia Maidana, Terrorzinho, Kami, Sabrina Lima, Thalya Veron e Maíra Espíndola. A curadoria é assinada por Sara Welter, também conhecida como SYUNOI.

 

As obras expostas transitam por diversas linguagens artísticas, abrangendo pintura, arte têxtil, objetos, instalações, performance, música e poesia. O objetivo central é provocar uma reflexão profunda sobre o feminicídio e as múltiplas formas de violência dirigidas aos corpos femininos. A iniciativa busca transformar vivências de silenciamento e apagamento em atos de presença, linguagem e ocupação simbólica do espaço institucional.

 

Arte como Denúncia e Resistência

 

Em um contexto onde o estado registra números preocupantes de violência contra mulheres, 'O Grito que Ecoa' emerge como uma poderosa ferramenta artística de denúncia, memória e resistência. As peças expostas criam um diálogo entre delicadeza e brutalidade, intimidade e política, guiando o público por um percurso que explora dor, força e permanência.

 

A curadora Sara Welter explicou que a concepção da exposição teve origem em diálogos com o Coletivo Dorcelina Folador.

 

“observando que essa temática percorre desde o proprio do coletivo, visto que Dorcelina Folador foi vítima de feminicidio em Mundo Novo, nesse sentido vendo a necessidade de falarmos sobre isso e toda a repercussão com as tantas vítimas no Brasil e em Mato Grosso do Sul, chegamos à conclusão que era necessário e urgente produzir essa exposição”

 

Fundado em 2020, o Coletivo Dorcelina Folador tem como meta principal a ruptura com padrões patriarcais. Sua trajetória é marcada pela união de diversas artistas mulheres que utilizam a arte como meio para narrar suas experiências de vida. Atualmente, o coletivo conta com mais de dez integrantes de Mato Grosso do Sul, que continuam a criar e a reivindicar seus espaços por meio de suas produções artísticas. Entre as artistas que fazem parte do coletivo estão Bejona, Erika Pedraza, Leticia Maidana, Marcia Lobo Crochê, Thalya Veron, Veryruim, Terrorzinho, Maira Espíndola, Cecilia Hanna, Sabrina Lima, Sara Welter (SYUNOI), Thalita Nogueira, Suellen Rocha, Ester Rohr, Da Mata, Ana Deluck, Vitória Queiroz, Vitória Lorrayne e Kami.

 

A exposição no MIS representa a primeira fase do projeto 'Nós Dissemos: Circuito de Arte Dorcelina Folador'. O circuito prevê a realização de mais duas mostras em distintos espaços culturais da capital sul-mato-grossense.

 

A Via Crucis do Corpo: Obra Inédita da Curadora

 

Uma das obras que compõem a exposição é 'A VIA CRUCIS DO CORPO', da própria curadora Sara Welter. A artista detalhou que a peça foi criada especificamente para 'O Grito que Ecoa', utilizando nanquim, carvão e pastel seco.

 

“Esse corpo aparece em duas formas opostas, ora pendurado pela mão, ora pendurado pelo pé. Tal linhas se enrolam pelo corpo da figura, trazendo referência desde shibari até mesmo como cortes. Ali então, esse corpo sem cabeça, com sua face ocultada, é dislacerado, machucado e violentado, o que resta é apenas a impressão do crime no tecido.”

 

O projeto é uma iniciativa contemplada pela Política Nacional Aldir Blanc, em parceria com a Fundação Municipal de Cultura de Campo Grande. Para Sara Welter, o investimento de recursos públicos é fundamental para a viabilização de projetos e exposições no cenário cultural.

 

“Com esses financiamentos muitos artistas têm portas abertas para fazer com que suas ideias saiam do papel e se tornem palpáveis, essa exposição é uma dessas ideias que se tornou real. Com esse recurso conseguimos fazer a exposição com toda a infraestrutura necessária para uma exposição, realizar obras inéditas com materiais para cada artista, além de todas as questões que envolvem o projeto serem bem desenvolvidas.”

 

A exposição 'O Grito que Ecoa' permanecerá em cartaz até o dia 6 de março de 2026 no Museu da Imagem e do Som (MIS de MS). O espaço cultural está localizado no 3º andar do Memorial da Cultura e da Cidadania, na avenida Fernando Corrêa da Costa, 559, Centro. Para mais informações, o público pode entrar em contato pelo telefone (67) 3316-9178.

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